Nova injeção anti-HIV pode durar até sete meses

Natali_CCM - 2 de outubro de 2018 - 07:11
Nova injeção anti-HIV pode durar até sete meses
Fórmula deixa o vírus praticamente indetectável e acaba com a necessidade de tomar remédios todos os dias

(CCM SAÚDE) — A ingestão diária de um coquetel de medicamentos é uma das barreiras para tratar o vírus da Aids. Agora, cientistas criaram uma injeção que dura até sete meses.


Avaliada em voluntários, a fórmula combina dois anticorpos naturais e prevê três injeções de anticorpos ao longo de seis semanas. A descoberta foi baseada em estudos com controladores de elite, ou seja, pessoas infectadas pelo HIV mas cujo organismo combate o vírus sem a necessidade de drogas.

Para chegarem a essa conclusão, os pesquisadores realizaram um ensaio clínico no qual os pacientes pararam de tomar os antirretrovirais para receber as injeções por seis semanas. Foram feitos testes, então, que constataram a supressão do HIV por, em média, 21 semanas ou mais de 30 semanas em algumas pessoas.

Os estudos, publicados na revista britânica 'Nature', destacam que a novidade ainda traz limitações, haja vista que há variedades do vírus da Aids, o que faz com que nem todos os infectados respondam da mesma forma ao tratamento.

"Esses dois anticorpos não vão funcionar para todos. Mas, se começarmos a combinar essa terapia com outras dessas moléculas protetoras ou com drogas antirretrovirais, ela poderá ser eficaz em mais pessoas. E isso é algo que esperamos ver em estudos futuros", afirma, em comunicado, Marina Caskey, uma das autoras e pesquisadora da Universidade de Rockefeller, nos Estados Unidos.

A próxima etapa do projeto é investir em outros tipos de anticorpos contra o vírus HIV que, assim como acontece com as células de câncer, interagem com o sistema imunológico para aumentar a defesa natural do corpo.

"A expectativa é de que essas novas variantes tenham meia-vida três a quatro vezes maiores. Dessa forma, poderemos ser capazes de dar os anticorpos uma ou duas vezes por ano", conclui Michel C. Nussenzweig, líder do estudo e também pesquisador.

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