Arritmia cardíaca e demência estão conectadas

Natali_CCM - 13 de outubro de 2018 - 01:20
Arritmia cardíaca e demência estão conectadas
Pesquisadores dizem que batimento irregular do coração aumenta em 40% o risco de a doença surgir

(CCM SAÚDE) — Uma pesquisa conduzida na Suécia descobriu que a arritmia cardíaca está diretamente ligada ao surgimento da demência e, por isso, deve ser combatida o quanto antes.


De acordo com os cientistas do Instituto Karolinska, as chances de uma pessoa com batimentos irregulares do coração desenvolver essa condição neurodegenerativa são de 40%.

A conclusão foi obtida após a avaliação de mais de 2,6 mil pessoas, com idade média de 73 anos, que foram examinadas e entrevistadas no início do estudo e, pelo menos, mais uma vez durante a sua realização. Para quem tinha menos de 78 anos, a análise foi retomada seis anos depois do início do teste. Já para os idosos com mais de 78, depois de três anos.

Ao longo do estudo, 279 pessoas (11%) apresentaram fibrilação atrial e 399 (15%) tiveram demência. Outro dado importante foi que aqueles com fibrilação atrial apresentaram declínio mais rápido em habilidades de pensamento e memória, com probabilidade 40% maior de desenvolverem demência.

Das 2.163 pessoas sem batimentos cardíacos irregulares, 278 (10%) desenvolveram demência. Das 522 com batimentos cardíacos irregulares, 121 (23%) tiveram o problema.

Como parte dessa análise, os pesquisadores explicam que o coração, quando há arritmia, bate fora do ritmo, fazendo com que haja acúmulo de sangue no órgão, formando coágulos que podem chegar ao cérebro e causar um AVC, inclusive.

"Nós sabemos que, quando as pessoas envelhecem, a chance de desenvolver fibrilação atrial aumenta, assim como a chance de surgir demência. Nossa pesquisa mostrou uma ligação clara entre os dois", diz, em comunicado, Chengxuan Qiu, pesquisador da Universidade de Estocolmo e um dos autores do estudo.

Para reverter esse cenário negativo existe, porém, a possibilidade de tomar anticoagulantes. "Estimamos que cerca de 54% dos casos de demência teriam sido hipoteticamente evitados se todas as pessoas com fibrilação atrial estivessem tomando esses diluentes sanguíneos. Esforços adicionais devem ser feitos para aumentar o uso desses medicamentos entre os idosos com essa condição", afirma o cientista.

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