Microcefalia: mortalidade é quatro vezes maior

Pedro Muxfeldt - 17 de outubro de 2018 - 07:58
Microcefalia: mortalidade é quatro vezes maior
Desde o surto de 2015, 188 bebês com a doença morreram antes do primeiro ano de vida

(CCM SAÚDE) — Crianças nascidas com microcefalia possuem índices de mortalidade infantil quatro vezes maiores que a média nacional. Os números são do jornal 'Estado de S. Paulo'.


No total, desde a confirmação do surto da doença, em novembro de 2015, foram registrados 218 óbitos de bebês com microcefalia. Destes, 188 mortes ocorreram antes do primeiro ano de vida, o equivalente a 5,82% dos 3.226 casos confirmados da condição congênita.

Em comparação, a taxa de mortalidade infantil geral no Brasil em 2016, último ano com dados consolidados disponíveis, foi de 1,4%, quatro vezes menor que os números apenas entre os bebês nascidos com o perímetro craniano abaixo do normal. O índice, aliás, representa a primeira alta na mortalidade infantil no país desde a década de 1990.

Outros dados do Ministério da Saúde mostram que o problema ainda pode se agravar. Atualmente, apenas 35,5% dos bebês nascidos com microcefalia realizam tratamento de estimulação precoce contra a doença. Além disso, a promessa do governo federal de abertura de 11 novos centros de reabilitação na região Nordeste, que concentra quase 70% dos casos, não foi cumprida e nenhum centro foi criado até então.

A microcefalia é uma condição congênita que provoca atraso no desenvolvimento cognitivo da criança. Ligada a uma série de fatores, como desnutrição e abuso de drogas da gestante, a doença teve um aumento de casos associados à epidemia de zika. Grávidas infectadas pelo vírus podem transmitir a doença ao bebê, aumentando o risco de microcefalia.

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