Estudo: microplásticos contaminam seres humanos

Natali Chiconi - 24 de outubro de 2018 - 08:17
Estudo: microplásticos contaminam seres humanos
Resíduos degradados são um risco não apenas para a saúde dos oceanos, segundo especialistas

(CCM SAÚDE) — Os microplásticos são apontados como um dos principais vilões dos oceanos. Esses resíduos, no entanto, podem ir muito além e afetar o corpo humano.


De acordo com um estudo conduzido pela Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia da Universidade de Medicina de Viena, na Áustria, esses resíduos degradados de variados tipos de plástico, com menos de 5 milímetros de comprimento, podem chegar ao intestino humano.

Por meio da coleta de fezes de oito pessoas, de oito países diferentes, o estudo identificou microplásticos em todas as amostras. Os principais tipos descobertos foram partículas de polipropileno (PP) e polietileno tereftalato (PET). Os participantes eram habitantes de Finlândia, Itália, Japão, Holanda, Polônia, Rússia, Reino Unido e Áustria.

"Existem pesquisas com animais que mostram que partículas de microplástico são capazes de entrar na corrente sanguínea, no sistema linfático e de atingir até o fígado. Além disso, elas também demonstraram que os microplásticos podem causar danos intestinais, alteração nas vilosidades intestinais, distorção da absorção de ferro e estresse hepático", explica, à 'BBC Brasil', o médico Philipp Schwabl, um dos pesquisadores envolvidos no experimento.

Sobre os participantes avaliados, dos oito, três eram mulheres e cinco, homens. Dois eram usuários diários de gomas de mascar e seis ingeriram peixes ou frutos do mar durante o período de observação. Todos tiveram contato com alimentos embalados com plásticos e, na média, tomaram 750 ml de água por dia de garrafas plásticas. Nenhum deles era vegetariano.

Sem poder usar antibióticos ou fazer tratamentos odontológicos, os participantes do estudo mantiveram um diário alimentar na semana anterior à coleta das fezes e indicaram marca do creme dental e de todos os domésticos utilizados. Dados sobre ingestão de gomas de mascar e bebidas alcoólicas também foram observados.

Com os resultados dos estudos em mãos, os autores chegaram à conclusão de que pelo menos 50% da população mundial apresenta microplásticos nas fezes. "Nossa principal preocupação é o que isso significa para o corpo humano e, especialmente, o que pode significar para pacientes com doenças gastrointestinais", comenta o médico.

A preocupação dos médicos se deve, em grande parte, ao fato de que entre 2 e 5% de todo o plástico produzido por ano vai para os mares, onde se deteriora em partículas cada vez menores e é consumido por animais marinhos, entrando na cadeia alimentar. Atum, lagosta e camarão já tiveram microplásticos identificados em seus organismos.

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