Estímulo elétrico faz paraplégicos andarem

Natali Chiconi - 1 de novembro de 2018 - 08:06
Estímulo elétrico faz paraplégicos andarem
Resultados do tratamento neurotecnológico são um marco nas técnicas de reabilitação

(CCM SAÚDE) — Uma nova abordagem pode dar esperança a paraplégicos. Isso porque, com uma estimulação elétrica epidural, eles puderam andar em uma esteira por até uma hora.


Os estudos, conduzidos por cientistas suíços, funcionam por meio da estimulação elétrica aplicada à medula, utilizando um implante sem fio. Para testarem a solução, os pesquisadores utilizaram três pacientes que sofriam com a paralisação dos membros inferiores e conseguiram andar em poucos meses.

Na pesquisa, a estimulação elétrica epidural (EES) foi administrada em três homens com lesão medular crônica e paralisia parcial ou completa dos membros inferiores. Ela era aplicada por um gerador de pulsos, controlado em tempo real via comunicação sem fio.

“O momento exato e a localização da estimulação elétrica são cruciais para o paciente produzir a locomoção específica necessária. É também essa coincidência espaço-temporal que desencadeia o crescimento de novas conexões nervosas”, avalia, em comunicado, Grégoire Courtine, neurocientista do Instituto Federal Suíço de Tecnologia e principal autor dos estudos.

Publicadas na revista ‘Nature’, as descobertas enfatizam que, para funcionar, a estimulação deve ser precisa. Os cientistas enfatizam, porém, que o maior desafio enfrentado pelos pacientes foi aprender como coordenar a intenção do cérebro com a estimulação elétrica.

A evolução, no entanto, foi rápida. Em alguns dias eles evoluíram de andar em uma esteira para caminharem apoiados no chão enquanto recebiam a EES. Alguns até conseguiram andar por até uma hora na esteira.

“Essa técnica promove a locomoção, preservando sinais sensoriais provenientes das pernas. Além disso, os pacientes não exibiram nenhuma fadiga muscular nas pernas, outro ponto positivo”, detalha a pesquisadora.

“Estamos construindo uma neurotecnologia a ser testada logo após a lesão ter ocorrido, quando o potencial de recuperação é alto e o sistema neuromuscular ainda não sofreu a atrofia que acompanha a paralisia crônica”, completa.

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