Tirar o apêndice reduz chances de ter Parkinson

Natali Chiconi - 6 de novembro de 2018 - 08:55
Tirar o apêndice reduz chances de ter Parkinson
Pesquisa aponta que doença neurodegenerativa pode ter origem no sistema digestivo

(CCM SAÚDE) — A retirada do apêndice pode estar diretamente ligada ao combate do mal de Parkinson. Pelo menos é o que indica uma pesquisa conduzida nos Estados Unidos.


De acordo com os cientistas, essa condição tem origem no sistema digestivo, com a acumulação de uma proteína denominada alfa-sinucleína, encontrada em pacientes com Parkinson.

Publicado na revista 'Science Translational Medicine', o estudo aponta que essa proteína é capaz de viajar pelo nervo que conecta o trato intestinal até o cérebro, reproduzindo-se e gerando efeitos neurotóxicos.

Para chegarem a essa conclusão, os cientistas do Instituto Van Andel Research, em Michigan, nos Estados Unidos, analisaram dados de 1,6 milhão de suecos ao longo de 50 anos. O resultado foi que os riscos de desenvolver Parkinson foram 20% menores em pacientes que tinham removido o apêndice.

Pequena bolsa localizada no intestino grosso, o apêndice é, aparentemente, um órgão sem utilidade e, por isso, muitas pessoas vivem normalmente após sua retirada por conta de inflamações.

"Apesar de ter uma reputação de algo completamente desnecessário, o apêndice desempenha um papel importante no nosso sistema imunológico, na regulação da composição de nossas bactérias intestinais e agora, como mostramos com o nosso trabalho, na doença de Parkinson", diz a pesquisadora Viviane Labrie, uma das autores do estudo.

A descoberta, muito importante para descobrir os mecanismos do Parkinson, indica que a doença começa fora do cérebro. Tal entendimento permite que sejam criados tratamentos para prevenir ou parar essa condição, ainda sem cura.

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