Rins e coração protegidos por remédio de diabetes

Natali Chiconi - 28 de novembro de 2018 - 08:32
Rins e coração protegidos por remédio de diabetes
Estudo viabiliza o uso da dapagliflozina como medicamento preventivo de diversos problemas.

(CCM Saúde) — Pessoas com diabetes têm 33% mais riscos de terem problemas cardíacos ou renais. Por isso, uma abordagem integrada para prevenir essas complicações é fundamental.


Esse foi o tema de um estudo apresentado este mês no Congresso da Associação Americana de Cardiologia, em Chicago, nos Estados Unidos. Ele objetiva reduzir os níveis de glicose no sangue, além de proteger rins e coração. Realizado em 882 locais, de 33 países, e mais de 17 mil pacientes, sua duração foi de cinco anos.

A pesquisa, divulgada pelo jornal 'Correio Braziliense' e cujos estudos comprobatórios não foram encontrados pela equipe do CCM Saúde, teve o objetivo de comprovar que a dapagliflozina, substância utilizada no tratamento do diabetes, não oferecia riscos cardiovasculares. Entretanto, os resultados foram além e indicaram que o remédio protege os rins e previne a insuficiência cardíaca.

"Temos de pensar no coração e no rim como um casal. É uma relação conjugal. O rim é um órgão regulador e, se algo estiver errado com ele, o coração fica infeliz. Eles vivem em um ambiente integrado", disse, no evento, o nefrologista George Barkis, professor da Universidade de Chicago e diretor do Centro de Hipertensão da instituição.

Para o endocrinologista Freddy Eliaschewitz, diretor do Centro de Pesquisas Clínicas de São Paulo (CPClin), o estudo “confirmou que essa classe de medicamentos tem efeito protetivo com relação à insuficiência cardíaca, principal complicação cardíaca do diabetes e a principal causa de morte cardiovascular”, disse ele ao 'Correio'.

Com efeito preventivo e redução no número de hospitalizações, a substância se mostrou eficiente na prevenção do infarto do miocárdio e de complicações renais.

“O mais importante é conhecer a doença e fazer o diagnóstico o quanto antes. O segundo ponto é tratá-la o mais rapidamente possível. É preciso agir em estágio bem precoce para evitar a deterioração dos rins, do fígado e do coração”, completa, ao 'Correio', o endocrinologista Itamar Raz, professor de medicina e diretor da Unidade de Diabetes da Universidade de Hadassah, em Israel.

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