Explodem os casos de sífilis, já epidêmica no Brasil

Natali Chiconi - 14 de dezembro de 2018 - 08:30
Explodem os casos de sífilis, já epidêmica no Brasil
Números aumentaram na comparação com o ano passado; variante congênita preocupa especialistas.

(CCM Saúde) — A sífilis, infecção sexualmente transmissível, voltou a ser uma epidemia no Brasil. Em debate, especialistas se mostraram preocupados com seus números.

Entre as principais causas para a explosão da doença no país estão o relaxamento no uso de preservativos e a interrupção dos tratamentos por parte dos pacientes, fazendo com que a infecção volte mais forte. Bastante recorrente em jovens adultos, gestantes e idosos, a sífilis se tornou uma das DSTs que mais merece atenção.

Segundo o Boletim Epidemiológico da Sífilis 2018, a taxa de detecção da sífilis adquirida aumentou de 44,1 para cada grupo de 100 mil habitantes, em 2016, para 58,1/100 mil em 2017. A sífilis em gestantes cresceu de 10,8 casos por mil nascidos vivos para 17,2. O número de óbitos por sífilis congênita, inclusive, foi de 206 casos em 2017, enquanto, em 2016, foram 195.

Em debate promovido pelo jornal ‘Correio Braziliense’, especialistas fizeram um alerta sobre o aumento dos casos de infecção pelo vírus e ausência de cuidados por parte dos pacientes.

"Muitas pessoas ainda acham que essas doenças não existem mais. Ou não sabem bem como se prevenir. É sempre bom alertar que é possível ter uma sexualidade boa e saudável", disse a infectologista Valéria Paes.

Adele Benzaken, diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das ISTs, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde, reforça a importância do diagnóstico precoce e tratamento com penicilina.

“Um dos principais trabalhos de prevenção é a boa orientação médica ou a procura do paciente ao consultório ainda nos primeiros sintomas da doença. Se a sífilis for diagnosticada no início, a cura é mais rápida", afirmou.

Outro risco enorme é quando a doença é congênita, ou seja, transmitida de mãe para filho. Nesse caso, há um risco de comprometimento do sistema neurológico da criança. "A mãe e o pai devem fazer o tratamento. O que se observa é que os homens, muitas vezes, não o concluem, e não ficam 100% curados”, explica Eliana Bicudo, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.

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