App devolve a voz a pessoas com câncer de laringe

Natali Chiconi - 14 de janeiro de 2019 - 08:43
App devolve a voz a pessoas com câncer de laringe
Tecnologia cria fala sintética para ser reproduzida em telefone celular, tablet ou laptop.

(CCM Saúde) — Um aplicativo criado na República Tcheca permite que pessoas que perderam a voz devido ao câncer de laringe voltem a falar utilizando sua “própria voz”.

Criado para pacientes que estão prestes a perder a voz devido a uma laringectomia, ou remoção da laringe, esse aplicativo foi desenvolvido em um projeto conjunto da Universidade da Boêmia Ocidental em Pilsen, da Universidade Charles de Praga e de duas empresas privadas - CertiCon e SpeechTech.

Por meio de gravações de voz do paciente, o app cria uma fala sintética que pode ser reproduzida em celulares, tablets ou laptops. No cenário ideal, a pessoa deve gravar mais de 10 mil sentenças para oferecer material suficiente e formar as frases. Entretanto, há muitos pacientes que têm pouco tempo ou disposição para fazer isso antes da cirurgia.

"Geralmente é uma questão de semanas", disse Barbora Repova, médica do Hospital Universitário de Motol, que trabalha no projeto pela Universidade Charles. "Os pacientes também têm que lidar com questões como a situação econômica, as vidas deles estão de cabeça para baixo e a última coisa que eles querem fazer é gravar", disse a especialista à agência ‘AFP’.

Diante disso, os cientistas criaram uma versão mais simplificada, que trabalha com menos sentenças - cerca de 3.500, com mínimo de 300. Até agora, a Universidade de Pilsen gravou entre 10 e 15 pacientes, nas línguas tcheca, inglesa, russa e eslovaca.

"O objetivo final é um dispositivo em miniatura conectado ao cérebro, aos nervos ligados à fala - então os pacientes poderiam controlar o dispositivo com seus pensamentos", disse a especialista. "Um final feliz seria um dispositivo implantado na garganta que pudesse falar com a própria voz do paciente", completou. "É realista; pode ser que não chegue em um ano ou mesmo em 10 anos, mas é realista e estamos a caminho disso”, concluiu.

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