Fumantes têm maior desgaste do corpo, diz estudo

Natali Chiconi - 28 de janeiro de 2019 - 08:35
Fumantes têm maior desgaste do corpo, diz estudo
Idade biológica de quem fuma é muito maior que a cronológica; mulheres sofrem mais com o problema.

(CCM Saúde) — Já são conhecidos os efeitos maléficos de cigarro em nosso corpo. Entretanto, agora sabe-se também que o tabagismo acelera o envelhecimento.

Feita por cientistas estadunidenses após uma análise sanguínea de voluntários e técnicas de inteligência artificial, a descoberta foi publicada na revista especializada ‘Scientific Reports’.

“O tabagismo é um problema real, destrói a saúde das pessoas, causa mortes prematuras e é, muitas vezes, o motivo de várias doenças sérias”, conta, ao jornal ‘Correio Braziliense’, Polina Mamoshina, pesquisadora sênior da empresa de biotecnologia Insilico Medicine, nos Estados Unidos, e uma das autoras do estudo.

Além de determinar a diferença biológica de idade entre fumantes e não fumantes, o estudo também avaliou o impacto do tabagismo na bioquímica do sangue de voluntários. Foram estudadas análises de amostras sanguíneas de 149 mil adultos, homens e mulheres, com média de 55 anos de idade. 33% dos participantes eram fumantes.

Após as medições de taxas que determinam a idade biológica da pessoa, descobriu-se que o corpo de fumantes envelhece mais rapidamente que sua idade cronológica. Assim, sua expectativa de vida é mais baixa.

Polina Mamoshina adianta que o trabalho terá continuidade, mas focando apenas na dependência ao tabagismo. “Agora, estamos trabalhando na avaliação do efeito das terapias de longevidade e de outras escolhas de estilo de vida, tais como dietas distintas, para ver se isso faria alguma diferença nas pessoas que têm esse vício”, diz.

Aspectos relacionados à aparência também foram abordados pelo estudo. A partir de dados das análises sanguíneas, os pesquisadores construíram imagens dos rostos de alguns voluntários com e sem os efeitos gerados pelo tabagismo.

“A idade biológica é algo que descreve o estado atual do indivíduo. Assim, as consequências do tabagismo podem ser vistas agora. Espero que isso tenha um impacto maior”, explica Poliana.

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