Brumadinho pode sofrer com surto de doenças

Pedro Muxfeldt - 6 de fevereiro de 2019 - 08:28
Brumadinho pode sofrer com surto de doenças
Casos de dengue e febre amarela tendem a disparar; doenças crônicas também podem se agravar.

(CCM Saúde) — O rompimento da barragem de Brumadinho provocou, até o momento, mais de 100 mortes, mas os riscos à saúde vão além da tragédia, aponta estudo da Fiocruz.

Divulgado nesta terça-feira (5), o trabalho afirma que a região afetada pela lama tóxica pode passar por surtos de doenças infecciosas, como dengue e febre amarela. Em Mariana, onde outra barragem se rompeu em 2015, os casos de dengue aumentaram 3.000% após o desastre.

Outro risco relevante é o de problemas respiratórios e de pele, afirmam os pesquisadores da Fiocruz. Segundo eles, à medida em que a lama começar a secar, ela se transforma em poeira e entra em contato com os moradores do entorno.

A longo prazo, casos de contaminação por cádmio, chumbo e mercúrio, elementos que já foram identificados na lama oriunda da barragem, também poderão ocorrer. Esses problemas podem afetar pessoas vivendo a centenas de quilômetros do local da barragem.

Para Carlos Machado, um dos autores do trabalho, também há possibilidade de complicações de doenças crônicas como diabetes e hipertensão. As causas para tal situação são a desorganização da vida das pessoas, que podem não seguir corretamente os tratamentos prescritos, e as dificuldades de acesso a serviços de saúde na região.

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