Remédio de HIV trataria Alzheimer e outros males

Natali Chiconi - 7 de fevereiro de 2019 - 08:53
Remédio de HIV trataria Alzheimer e outros males
Em testes com cobaias, medicamento reduziu diversas inflamações relacionadas à idade.

(CCM Saúde) — Um estudo recente indica que um medicamento utilizado para tratar o HIV reduz diversos tipos de inflamações relacionadas à idade, incluindo o Alzheimer.

Em testes com ratos, os cientistas identificaram que o remédio pode tratar desordens como diabetes tipo 2, Parkinson, degeneração macular, Alzheimer e artrite. O estudo foi publicado na revista 'Nature'.

Para chegarem a essa conclusão, os pesquisadores descobriram como acontecem as inflamações em células mais antigas - que não se dividem mais. Uma sequência específica, conhecida como L1, pode escapar do controle de genes que se replicam e se movem para lugares indevidos, gerando diversos males.

Nesse estudo, a equipe mostrou que a replicação das cópias de DNA de L1 é detectada por uma resposta imune antiviral, desencadeando a inflamação das células vizinhas. A partir disso, eles identificaram o mecanismo por meio do qual os genes saltadores causam inflamações celulares.

A relação com o HIV acontece da seguinte forma: sequências de DNA L1 necessitam da proteína transcriptase para se replicarem. O HIV e outros retrovírus precisam da mesma proteína para se multiplicarem e, nesse momento, entram em cena os medicamentos para Aids.

O AZT, remédio para tratar o HIV, interrompe sua replicação. Outra droga dentre as seis testadas foi a lamivudina, que gerou bons resultados e poucos efeitos colaterais. "Quando demos este remédio para camundongos, notamos que eles tinham incríveis efeitos anti-inflamatórios”, explica John Sedivy, principal autor do estudo e professor da Universidade Brown.

O tratamento em camundongos de 26 meses (aproximadamente equivalentes a humanos de 75 anos) com lamivudina por apenas duas semanas reduziu a evidência tanto da resposta do interferon quanto da inflamação. Em camundongos de 20 meses, a lamivudina por seis meses também reduziu sinais de perda de gordura e músculo.

Agora, o próximo passo dos cientistas é testar esse medicamento com humanos para várias condições associadas à idade, como mal de Alzheimer e artrite.

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