Criada pílula de insulina que substitui injeção

Natali Chiconi - 11 de fevereiro de 2019 - 08:11
Criada pílula de insulina que substitui injeção
Do tamanho de um comprimido, a cápsula libera a substância ao chegar ao estômago da pessoa.

(CCM Saúde) — Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) desenvolveram uma cápsula que substitui a injeção de insulina em pacientes diabéticos.

Ao ser ingerida, ela libera a substância no estômago do paciente e evita a necessidade de injeções, tomadas frequentemente por quem sofre de diabetes tipo 1. Publicado no revista ‘Science’, o estudo se baseou na tartaruga-leopardo. O animal, encontrado na África, tem um casco alto e íngreme, o que permite que ela se apoie e se reposicione caso fique “de costas”.

Foi exatamente esse modelo de casco que deu origem à cápsula. Dentro dela, uma agulha é presa a uma mola, protegida por um disco de açúcar. Quando o paciente a engole, a água dissolve a parte açucarada e libera a mola. A agulha, então, atinge a parede do estômago e libera insulina.

"Estamos realmente com esperança de que esse novo tipo de cápsula possa ajudar pacientes diabéticos e, talvez, qualquer pessoa que precise de terapias que só podem ser administradas por injeção", disse Robert Langer, professor do Instituto David H. Koch e membro do MIT.

Atualmente, a cápsula já acomoda uma quantidade de 5 miligramas de insulina - valor compatível à necessidade de quem tem diabetes tipo 1. Os estudos, feitos em ratos e suínos, tiveram resultados positivos.

"A entrega oral de medicamentos é um grande desafio, especialmente para drogas proteicas. Há uma tremenda motivação em várias frentes para encontrar outras formas de distribuir as drogas sem usar agulha para aplicação", disse Samis Mitragotri, professor de engenharia química da Universidade da Califórnia, um dos envolvidos na pesquisa.

Apenas no Brasil, o número de portadores de diabetes subiu 61,8%. A doença, atualmente, atinge 8,9% da população mundial.

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