Maconha na adolescência ligada à depressão

Natali Chiconi - 26 de fevereiro de 2019 - 08:21
Maconha na adolescência ligada à depressão
Especialistas descobriram que cannabis eleva o risco de ansiedade e comportamento suicida em adultos.

(CCM Saúde) — A maconha, já legalizada em 33 países, pode ser um fator prejudicial a adolescentes. Segundo estudos, o consumo de cannabis eleva o risco de depressão e suicídio.

Publicado na revista ‘Jama Psychiatry’, a pesquisa é a primeira análise sobre o tema, que aborda especificamente a adolescência. Liderada por Gabriella Gobbi, pesquisadora do Programa de Reparo do Cérebro e Neurociência Integrativa (BraIN) da Universidade McGill, no Canadá, a revisão de 11 estudos internacionais avaliou 23.317 pessoas de 18 a 35 anos.

“O cérebro está em desenvolvimento até os 25 anos de idade e, até agora, pouca atenção foi dispensada à avaliação do impacto do consumo da maconha no risco de depressão e suicídio”, observa Gobbi.

No Brasil, o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) de 2012 aponta que 1,5 milhão de adolescentes e adultos fumam cannabis diariamente, sendo que 62% tiveram o primeiro contato com a substância antes dos 18 anos. O mundo todo enfrenta uma epidemia de depressão e suicídio. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2005 e 2015, houve aumento de 18,4% nos diagnósticos da doença.

No estudo canadense, foi encontrado um risco aumentado de depressão e ansiedade em 7%. Casos de suicídio foram três vezes e meia maiores entre os adultos que, quando adolescentes, fumavam maconha.

No Brasil já é possível comprar e consumir - para fins medicinais - remédios feitos à base da cannabis, utilizados por pacientes convulsivos e portadores de algumas doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

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