Novo tratamento contra inflamações intestinais

Natali Chiconi - 11 de março de 2019 - 08:30
Novo tratamento contra inflamações intestinais
Nova abordagem tratou, com sucesso, casos de doença de Crohn e colite ulcerativa.

(CCM Saúde) — Um tratamento que inibe a expansão de um gene abundante em quem sofre de doença de Crohn e colite ulcerativa é a nova esperança contra inflamações intestinais.

Até o momento, os tratamentos mais conhecidos apenas suprimiam a inflamação, mas resultavam em poucos efeitos diretos aos pacientes, que sofriam de dores abdominais, diarreia e, em casos mais graves, sangramento retal.

Agora, um grupo de pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, encontrou um tratamento mais eficaz contra as doenças inflamatórias intestinais (DII). Isso porque, em vez de focar nos processos inflamatórios, ele diminui a atividade de um gene ligado à coagulação do sangue. Por ora, os testes foram conduzidos em ratos.

“Encontramos um alvo único e que não é uma molécula inflamatória. Ainda assim, o bloqueio reduziu a inflamação e sinais de doença, pelo menos em camundongos. Se pesquisas adicionais contribuírem com nossas descobertas, achamos que isso pode ser útil para um número maior de pacientes”, diz, em comunicado, Thaddeus Stappenbeck, pesquisador do Laboratório de Medicina Genômica da universidade e autor do estudo, divulgado na revista ‘Science Translational Medicine’.

Atualmente, quem sofre das DII é tratado com corticosteroides. Quando os anti-inflamatórios não funcionam, os médicos partem para remédios mais potentes, como inibidores do TNF, que neutralizam o excesso de fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa) provocado pela doença. Um ponto negativo dessa abordagem é que ela aumenta riscos de câncer e infecção.

Baseando-se nessa realidade, os pesquisadores analisaram 1.800 biópsias intestinais de 14 conjuntos de dados das DII. Depois, identificaram um grupo de genes relacionados à coagulação sanguínea e que se ativam nessas situações - pessoas com doença de Crohn e colite ulcerativa são duas a três vezes mais propensas que a população em geral a desenvolverem problemas com coágulos sanguíneos.

Na sequência, a equipe identificou o papel desse gene na inflamação intestinal em roedores. Ao bloquear a atividade do gene com uma pequena molécula do remédio, os sintomas foram reduzidos. Os ratos também ganharam peso, quando comparados às cobaias que receberam placebo.

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