EUA ligam agrotóxico liberado no Brasil a câncer

Natali Chiconi - 21 de março de 2019 - 08:34
EUA ligam agrotóxico liberado no Brasil a câncer
Júri de São Francisco decidiu que o glifosato foi gerador de câncer em um homem de 70 anos.

(CCM Saúde) — Uma decisão nos Estados Unidos aponta um agrotóxico à base de glifosato como principal causador de câncer em um homem. O produto é liberado no Brasil.

Pesticida mais utilizado por aqui e no mundo, o Roundup, seu nome comercial, é aplicado em larga escala em plantações e jardins. A fabricante do produto é a Monsanto, recentemente comprada pela farmacêutica Bayer. De acordo com a decisão do júri da cidade de São Francisco, ele foi um “fator importante” no desenvolvimento de câncer em um homem.

No Brasil, em fevereiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) propôs a manutenção da venda de glifosato no país, alegando que não haveria evidências científicas de que a substância cause câncer, mutações ou malformação em fetos.

O júri, no entanto, decidiu por unanimidade que o pesticida contribuiu para o linfoma não Hodgkin (LNH) de Edwin Hardeman, de 70 anos, que vive na Califórnia. Agora, a próxima etapa do julgamento vai considerar a responsabilidade e os danos causados pela empresa.

"Estamos confiantes de que as evidências na segunda fase vão mostrar que a conduta da Monsanto foi apropriada e que a empresa não deve ser responsabilizada pelo câncer de Hardeman", declara a empresa, em sua defesa. “Continuamos a acreditar firmemente que a ciência confirma que os herbicidas à base de glifosato não causam câncer”, completa.

Este é o segundo processo das cerca de 11,2 mil ações judiciais contra o Roundup que são julgados nos Estados Unidos. Em agosto de 2018, a Monsanto foi condenada a pagar US$ 289 milhões (R$ 1,1 bilhão) a um homem com câncer.

A decisão segue as recomendações da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, da Organização Mundial de Saúde (OMS), que concluiu que o glifosato era "provavelmente cancerígeno para humanos". Já a Agência de Proteção Ambiental dos EUA insiste que o medicamento é seguro se utilizado com cautela.

Foto: © Narong Jongsiriku - 123RF.com