Novo exame avalia parte mais funda do olho

Natali Chiconi - 25 de março de 2019 - 08:34
Novo exame avalia parte mais funda do olho
Tecnologia poderá contribuir para tratamentos mais eficientes de doenças oftalmológicas.

(CCM Saúde) — Um exame criado nos Estados Unidos pode ajudar no diagnóstico de doenças oftalmológicas graves. Trata-se de solução que analisa camada celular no “fundo do olho”.

Por meio de um combinado de imagens ópticas adaptativas e de um colírio fluorescente, os investigadores acreditam que, agora, será possível identificar alterações na retina com mais precisão.

Publicadas na revista especializada ‘JCI Insight’, as descobertas falam sobre o epitélio pigmentar da retina (EPR), camada que mantém a saúde dos fotorreceptores sensíveis à luz da retina. Como as células contêm pigmento e, assim, absorvem a luz, a fina camada de tecido do EPR é difícil de ser visualizada.

“A angiografia com o corante verde é rotineiramente realizada em clínicas oftalmológicas. Usando a tecnologia adaptativa óptica, vimos, em 2016, que o corante também pode ser usado para observar células epiteliais de pigmento localizadas na retina. No trabalho atual, nos baseamos nessa técnica e exploramos sua estabilidade a longo prazo”, conta, ao ‘Correio Brasiliense’, Johnny Tam, pesquisador do National Eye Institute, nos Estados Unidos, e principal autor do estudo.

Tam revela que o corante desaparece rapidamente dos vasos sanguíneos, em cerca de 30 minutos, mas persiste no EPR por várias horas, revelando um padrão de mosaico fluorescente. Nos testes, os cientistas utilizaram esses padrões de EPR para rastrear células individuais em voluntários saudáveis e pessoas com doença retiniana.

Houve ainda a criação de um software que reconhece padrões de EPR e calcula as alterações que ocorrem de uma sessão de imagens para a próxima. "Estudar células do epitélio pigmentar da retina na clínica é como olhar para uma caixa-preta. Hoje, quando os sinais de doença são detectáveis com técnicas convencionais, muitos danos já ocorreram", justifica Johnny Tam.

“Esse estudo é uma prova de conceito de que podemos usar um corante fluorescente para revelar essa impressão digital única do EPR e monitorar o tecido ao longo do tempo”, completa.

Para o futuro, os cientistas acreditam que a novidade ajudará a evitar danos ou reparar problemas no EPR, elevando a precisão no diagnóstico de pacientes que estão prestes a perder a visão. Condições como distrofia macular Sorsby e a degeneração macular relacionada à idade poderiam ser descobertas precocemente.

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