Câncer de pâncreas ligado à obesidade, diz estudo

Natali Chiconi - 2 de abril de 2019 - 08:52
Câncer de pâncreas ligado à obesidade, diz estudo
Pesquisadores incluíram o câncer de pâncreas na lista dos que têm risco aumentado pelo sobrepeso.

(CCM Saúde) — Além das formas que afetam mamas, endométrio, rim, fígado, próstata, bexiga, esôfago e colorretais, o câncer de pâncreas também está relacionado à obesidade.

Em comunicado, a Organização Mundial da Saúde informou que o câncer de pâncreas tem risco aumentado de surgir por conta do índice de massa corporal elevado.

Apresentado no Encontro Anual da Sociedade Norte-Americana de Pesquisa em Câncer (AACR), em Atlanta, o estudo avaliou dados de 963.317 adultos sem histórico de câncer que participaram do Estudo de Prevenção II da AACR, uma pesquisa nacional de mortalidade por doenças oncológicas que começou em 1982.

“Desde o início dos anos 2000, o câncer pancreático vem aumentando, embora o principal fator de risco, o tabagismo, esteja caindo. Isso nos deixou intrigados”, afirma Eric J. Jacobs, principal autor do estudo e diretor científico de pesquisa epidemiológica da AACR.

Durante mais de 30 anos de pesquisas, mais de 8 mil participantes do estudo morreram de câncer pancreático e os que tinham Índice de Massa Corporal (IMC) maior foram os que tiveram mais associação com a doença.

Um aumento de cinco unidades de IMC (cerca de 15 kg para um adulto de 1,70 m) foi relacionado a uma elevação de 25% no risco daqueles que foram avaliados entre 30 e 49 anos; 19% nos que foram medidos dos 50 aos 59; 14% nos que reportaram o peso e a altura dos 60 aos 69, e 13% nos demais.

“As gerações mais jovens estão chegando à meia-idade muito mais pesadas que as anteriores”, nota o pesquisador. “Estimamos que 28% dos óbitos por câncer de pâncreas em americanos nascidos entre 1970 e 1974 serão atribuídos ao excesso de peso, comparado a apenas 15% no caso daqueles nascidos em 1930, quando era muito menos provável ser obeso na meia-idade”, completa.

No Brasil, o câncer de pâncreas é responsável por cerca de 2% dos tumores oncológicos e 4% das mortes associadas, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

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