Qualquer nível de bebida faz mal à saúde, diz estudo

Natali Chiconi - 8 de abril de 2019 - 09:24
Qualquer nível de bebida faz mal à saúde, diz estudo
Pesquisa contesta a afirmação de que beber com moderação protege o corpo de algumas doenças.

(CCM Saúde) — Você provavelmente já ouviu falar que uma taça de vinho por dia faz bem à saúde. Entretanto, um novo estudo diz que nível algum de bebida é positivo.

Estudo publicado na revista The Lancet contesta a teoria de que beber com moderação protege o corpo de algumas doenças. Conduzido por especialistas de Reino Unido e China, o levantamento acompanhou 500 mil adultos chineses por dez anos. A conclusão foi de que mesmo a ingestão moderada de álcool eleva a pressão arterial e o risco de AVC.

Ligados à Universidade de Oxford e Pequim e à Academia de Ciências Médicas da China, os pesquisadores verificaram que uma ou duas doses de bebida alcoólica por dia aumentaria o risco de derrame entre 10% e 15%. Esse valor saltaria para cerca de 35% com o consumo de quatro doses por dia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 2,3 bilhões de pessoas no mundo consumam bebidas alcoólicas, com uma média de 33 g por dia, o que equivale a aproximadamente duas taças de 150 ml de vinho, uma garrafa de cerveja de 750 ml ou duas doses de 40 ml de destilado.

"As alegações de que o vinho e a cerveja têm efeitos protetores mágicos não se sustentam", diz Richard Peto, coautor do estudo e professor de estatísticas médicas e epidemiologia na Universidade de Oxford.

"Utilizar a genética é um caminho novo para esclarecer se beber de forma moderada nos protege realmente ou se pode também nos fazer mal", ponderou Iona Millwood, da Universidade de Oxford, também coautora do estudo e especialista em epidemiologia.

Embora as conclusões sejam claras, há ressalvas, como a que faz o cientista Stephen Burgess, da Universidade de Cambridge. Para ele, a análise tem algumas limitações, entre elas o fato de só ter se debruçado sobre a população chinesa e ter se concentrado especialmente sobre o consumo de destilados e de cerveja, mas não de vinho.

“A pesquisa aponta de forma contundente que não há benefício cardiovascular na ingestão de forma moderada e que o risco de AVC aumenta mesmo com o consumo reduzido de bebidas”, diz.

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