Cientistas reativam cérebros horas após a morte

Natali Chiconi - 23 de abril de 2019 - 09:00
Cientistas reativam cérebros horas após a morte
Experimento, feito com porcos, fornece novas formas de pesquisar doenças como o Alzheimer.

(CCM Saúde) — Uma pesquisa recente conseguiu reativar parcialmente cérebros de porcos quatro horas depois de seu abate. A novidade é uma esperança contra o Alzheimer.

No estudo, publicado na revista 'Nature', os cientistas da Universidade da Yale, nos Estados Unidos, tinham o objetivo de demonstrar que a morte das células cerebrais poderia ser interrompida e é possível, inclusive, estabelecer algumas conexões no cérebro.

Para o experimento, os pesquisadores coletaram 32 cérebros de porcos em um matadouro. Quatro horas depois, conectaram os órgãos a um sistema feito pela equipe da universidade que bombeava, em ritmo pré-determinado, imitando o pulso, um líquido projetado em torno do cérebro com sangue sintético.

O cérebro dos animais recebeu essa mistura por seis horas e, após esse período, os pesquisadores identificaram sinapses, com redução na morte das células cerebrais, restauração dos vasos sanguíneos e atividade cerebral.

Houve, ainda, sintaxes em funcionamento, bem como resposta normal a medicação e consumo da mesma quantidade de oxigênio que um cérebro normal. Um eletroencefalograma, no entanto, não detectou sinais de atividade elétrica, o que sinalizaria consciência ou percepção.

"A morte celular no cérebro ocorre através de uma janela de tempo mais longa do que pensávamos anteriormente", afirmou Nenad Sestan, professor de Neurociência de Yale. "O que estamos mostrando é que o processo de morte celular é um processo gradual. E que alguns desses processos podem ser adiados, preservados ou mesmo revertidos”, completa.

O objetivo do estudo é, ao longo prazo, encontrar melhores formas de proteger o cérebro após traumas como um AVC. O Alzheimer também pode ser mais bem entendido e até revertido com o avanço dessa tecnologia.

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