Mortes prematuras ligadas a alimentos processados

Natali Chiconi - 31 de maio de 2019 - 08:49
Mortes prematuras ligadas a alimentos processados
Estudo liga esse tipo de comida a diversos problemas de saúde e mortes precoces.

(CCM Saúde) — Os chamados alimentos ultraprocessados, como nuggets, sorvetes e salsicha, são ligados a um maior risco de morte prematura, segundo estudos.

Cientistas da França e Espanha apontaram que, nos últimos anos, a ingestão desse tipo de alimento disparou. Segundo eles, comidas ultraprocessadas estimulam as pessoas a comerem em excesso. Os estudos foram publicados na revista científica 'British Medical Journal'.

Estão inclusos na categoria de ultraprocessados os alimentos que passaram por um maior processo industrial, com diversos ingredientes em sua composição, incluindo conservantes, edulcorantes ou intensificadores de cor.

Em entrevista à 'BBC News', Maira Bes-Rastrollo, da Universidade de Navarra, na Espanha, afirmou que "se um produto contém mais de cinco ingredientes, provavelmente é considerado ultraprocessado".

Alguns exemplos são salsichas e hambúrgueres, cereais matinais ou barras de cereais, sopas instantâneas, bebidas açucaradas, nuggets de frango, bolos, chocolates, sorvetes, pão produzido em larga escala, refeições prontas, como tortas e pizza, além de shakes que substituem refeições.

Para chegarem a essas conclusões, os pesquisadores de Navarra acompanharam mais de 19 mil pessoas por uma década, avaliando sua dieta a cada dois anos. Durante o estudo, 335 participantes morreram. Para cada 10 mortes entre os que comeram menos alimentos ultraprocessados, houve 16 mortes entre os que comeram mais alimentos desse tipo (mais de quatro porções por dia).

Já os estudos da Universidade de Paris acompanharam 105 mil pessoas por cinco anos, avaliando sua dieta duas vezes por ano. A pesquisa mostrou que aqueles que comiam mais alimentos ultraprocessados tiveram mais problemas cardíacos.

"Um número crescente de estudos independentes vem associando alimentos ultraprocessados a efeitos adversos à saúde”, avalia Mathilde Touvier, da Universidade de Paris. "O rápido e crescente consumo mundial de alimentos ultraprocessados, em detrimento de alimentos menos processados, pode gerar um número maior de doenças cardiovasculares nas próximas décadas".

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