Por ano, ingerimos até 121 mil partículas de plástico

Natali Chiconi - 6 de junho de 2019 - 09:17
Por ano, ingerimos até 121 mil partículas de plástico
Substância está presente em peixes, frutos do mar e até no sal de cozinha, segundo estudo.

(CCM Saúde) — De 2 a 5% de todo o plástico criado no mundo vai para os oceanos e, depois, transforma-se em microplástico, que entra na cadeia alimentar e vai parar nos seres humanos.

Com até 5 mm, os microplásticos são ingeridos por animais marinhos e entram no organismo dos seres humanos. Um estudo conduzido pelos cientistas do Departamento de Biologia da Universidade de Victoria, no Canadá, indicou que, por ano, ingerimos até 121 mil partículas dessa substância.

Liderados pelo pesquisador Kieran Cox, os cientistas revisaram e compilaram 26 estudos anteriores que analisaram as quantidades de partículas de microplásticos em peixes, moluscos, açúcares, sais, álcool, água - de torneira e engarrafada - e no próprio ar.

"Indivíduos que cumprem sua ingestão de água recomendada apenas por meio de fontes engarrafadas podem estar ingerindo mais 90 mil microplásticos anualmente em comparação com 4 mil microplásticos para quem consome apenas água da torneira", diz Cox, em artigo publicado no periódico científico 'Environmental Science & Technology'.

O estudo indicou que crianças do sexo feminino ingerem 74 mil partículas em média, contra 81 mil de crianças do sexo masculino. No caso dos adultos, mulheres ingerem uma média de 98 mil microplásticos enquanto os homens, 121 mil.

Um estudo anterior, feito em Viena, na Áustria, apontou que, em média, são encontradas 20 partículas de microplásticos em cada 10 gramas de fezes humanas. Com o tempo, essas partículas podem comprometer o funcionamento estomacal.

"Isso realmente ocorre e já foi verificado em peixes e outros animais marinhos. São obstruções mecânicas que podem ocorrer no estômago, intestino delgado e válvula ileocecal", dizem os pesquisadores. A substância bisfenol A, utilizada na fabricação de plásticos de policarbonato, pode ainda causar tumores e alterar funções hormonais.

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