Depressão e perda de capacidade cognitiva

Outubro 2017

A depressão é uma doença muito frequente que afeta 10% da população mundial. Estudo recentes demonstram que após um episódio de depressão ocorre desaceleração das funções psicomotoras, o que pode levar a novos quadros depressivos posteriores. Trabalho realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França aponta que a depressão é uma doença neurotóxica, ou seja, pessoas com histórico de ao menos dois episódios de depressão apresentam maior lentidão para realização de tarefas cotidianas que exijam atenção, concentração e certa rapidez de raciocínio e movimentos.


Sintomas da depressão

A depressão se caracteriza por distúrbios de humor e comportamento, estado de profunda tristeza permanente, perda da vontade de realizar ações cotidianas, grande fadiga e modificações sobre o apetite, sono e libido. Também podem ocorrer baixa autoestima, culpabilização pelos fatos da vida e desejos obscuros e/ou suicidas.

Os estados depressivos podem se repetir e se tornarem recorrentes em alguns pacientes. Eles também podem ser sazonais, quando ocorrem relacionados a um determinado período do ano, seja influenciado pelo clima seja por alguma lembrança ruim associada à data.

Diagnóstico da depressão

O diagnóstico de depressão é feito a partir da identificação pelo médico responsável de ao menos cinco dos sintomas listados acima. Além disso, a depressão altera as funções intelectuais de maneira prolongada se o tratamento do problema não for feito de maneira correta e completa. Desta forma, este é outro ponto que pode levar um profissional de saúde a identificar o problema e encaminhar o paciente a um especialista.

Depressão e capacidade cognitiva

Os pesquisadores franceses do Inserm avaliaram as capacidades cognitivas de 2 mil pessoas que experimentaram entre um e cinco episódios de depressão ao longo da vida. A equipe mediu a rapidez dos voluntários em executar testes cognitivos simples, que consistiam na colocação em ordem crescente de círculos numerados. Os testes foram efetuados duas vezes por cada pessoa. A primeira durante a fase depressiva e a segunda seis semanas após o fim do tratamento, quando nenhum dos sintomas da doença estava presente.

Resultados da pesquisa

O tempo necessário para realizar o teste foi de 35 segundos entre pacientes sofrendo com seu primeiro episódio depressivo e se mantinha praticamente idêntico após o tratamento. No entanto, esse valor passou para 1 minuto e 20 segundos entre voluntários com dois ou mais quadros de depressão e também se manteve estável ao final do tratamento. Apesar de variações relacionadas à idade e escolaridade, o experimento mostrou a influência da depressão sobre a capacidade cognitiva dos pacientes.

Prevenir a volta da depressão

Os resultados da pesquisa do Inserm demonstraram os efeitos neurotóxicos da depressão e confirmaram que a doença se agrava com o passar do tempo e sua recorrência. O tratamento preventivo para evitar recaídas deve ser, portanto, uma das prioridades de especialistas, apontam os cientistas.

Reabilitação cognitiva

A reabilitação cognitiva é uma terapia que tem por objetivo reduzir as dificuldades cognitivas de um paciente com depressão e melhorar a memória e atenção destas pessoas. Essa técnica também é utilizada em casos de esquizofrenia e dependência química, mas ainda é pouco difundida como terapia complementar ao tratamento de depressão.

A reabilitação cognitiva se baseia no estímulo das funções cognitivas defeituosas do paciente e que auxilia também na redução dos riscos de recaída. Este método terapêutico utiliza preferencialmente técnicas de aprendizagem e repetição de exercícios mentais para alcançar seus objetivos.

Foto: © Platslee - Shutterstock.com

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Publicado por Pedro.CCM. Última modificação: 21 de setembro de 2017 às 09:51 por Pedro.CCM.
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